Coluna Educação – Inteligência Emocional para empreender – Jornal O Folha de Contagem

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Evandro Conti
CEO e fundador da EU S/A Escola de Empreendedorismo para crianças e adolescentes; Sócio-Estatutário do Instituto Êxito de Empreendedorismo; Professor de Empreendedorismo e Educação Financeira

Publicado no jornal O Folha dia 18/04/2021

Ao redor do mundo, os países foram entendendo a importância dos comportamentos socioemocionais desde a infância, principalmente porque esse é o período em que a personalidade está em franco desenvolvimento. Singapura, Hong Kong (China), Japão, Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido são exemplos de países pioneiros em adotar essa cultura na segunda metade da década de 1990. Desde então, estes países vêm colhendo excelentes resultados, entre os quais redução do índice de absenteísmo escolar, melhoria das notas e redução da violência.

Em 2002 a Unesco emitiu um documento destinado a 140 países, iniciando um projeto global com dez princípios básicos para a implementação do aprendizado socioemocional desde a infância. Nos Estados Unidos este já é um requisito curricular, visando o domínio destas competências para a vida, da mesma forma que as crianças precisam alcançar boas aptidões em matemática e linguagens.

No Brasil o projeto da Unesco ganhou força em 2018 quando o Ministério da Educação e Cultura (MEC), por meio da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), incluiu seis competências socioemocionais para serem trabalhadas na educação: Comunicação; Trabalho e Projeto de Vida; Argumentação; Autoconhecimento e Autocuidado; Empatia e Cooperação; Responsabilidade e Cidadania. A inclusão da Educação Financeira foi prevista nesta lista para 2020 no ensino infantil e fundamental e o Empreendedorismo para 2021 para alunos do ensino médio.

E daí surge a pergunta: qual a vantagem para os filhos aprenderem tudo isso desde cedo? Com o conhecimento técnico que eles irão receber nas universidades, já não estarão habilitados para serem médicos, dentistas, engenheiros e quantas e quais outras profissões quiserem escolher? Mas é aqui que mora o engano. Para ser alguém na vida, para conseguir o que quiser, seja qual sonho for, nossas crianças e jovens precisam se motivar. Seguindo à risca a etimologia, “motivação” quer dizer motivos para agir, algo que vem de dentro para fora. Só assim eles serão detentores da forte determinação que os fará perseguir os objetivos, ter disciplina e foco para estudar e resistir a distrações típicas da idade – excesso de tempo no celular, jogos eletrônicos, redes sociais e baladas, por exemplo – que tanto desesperam os pais.

O conjunto de competências definidas pela BNCC reforça o que se tem chamado de inteligência emocional, muito bem-vinda na esteira das novas habilidades que precisam ser desenvolvidas com os estudantes. Desenvolvida nas equipes será, certamente, uma boa aliada estimular a humildade, por exemplo. Atributo este que serve para ajudar e ser ajudado por um colega ou professor em uma dificuldade de conteúdo. Trabalhar a empatia pode ajudar a enxergar o outro e entender a sua dor dentro de sala. Resiliência pode ser traduzida em intensificar os estudos quando se foi mal na prova. Aprender ou lapidar este tipo de comportamento contribui, e muito, para o sucesso da criança ou do adolescente no futuro, pois será uma base necessária para a fase adulta.

Olhando para o mundo corporativo é comum escutar que alguém foi contratado pelo currículo e demitido pelo comportamento. E cada vez mais as empresas estão atentas para observar os candidatos pelo o que fizeram na vida (dentro e fora da escola) ou se estão engajados em causas sociais. Pesquisam suas redes sociais, querem saber o que pensam, se são proativos, se alcançaram resultados, e vários outros indícios de que serão uma boa opção de contratação. Google, Apple e Facebook são alguns exemplos de corporações que vislumbram valores, comportamentos e atitudes que combinam com os seus propósitos. Para este modelo de empresa o conhecimento técnico pode ser obtido aos montes na era do conhecimento. O que vem do berço custa mais caro.

E o empreendedorismo nesta história toda? Tem tudo a ver, pois o empreendedorismo é um estado de ser, segundo Fernando Dolabela, autor do livro Pedagogia Empreendedora.  As pessoas empreendem o tempo todo, seja em casa, na família, com os amigos, no clube, na escola ou no trabalho. O empreendedor primeiramente é o seu próprio protagonista e depois empreende para a vida, para os outros, para a sociedade. Mas oferecer soluções para os problemas do mundo, precisa estar com seu próprio mundo interno bem resolvido: visão crítica, empatia, saber lidar com as frustrações, determinação, resiliência, disciplina, liderança, aprender sempre, saber ouvir, ter humildade e tantas outras competências. O dinheiro será consequência de um excelente trabalho feito com o propósito de tornar a sociedade melhor. Seja política, cultural, econômica e humanamente falando.

Sobre a Colunista

Luzedna Glece de Freitas Delfino  – Diretora proprietária do Centro de Excelência Integrado Avançar – CEIAV; graduada em Pedagogia com licenciatura em Orientação, Supervisão, Séries Iniciais e Administração Escolar; pós-graduada em Psicopedagogia Clínica, Licenciatura em Magistério e Graduação em Neurociência; palestrante de temas voltados às áreas de Educação, Motivação, Relacionamentos Interpessoal e Intrapessoal; estudiosa com trabalhos reconhecidos sobre o tema Bullying; experiências profissionais: professora das séries iniciais e do curso de pedagogia, coordenadora, orientadora, diretora de redes particulares de ensino, supervisora, orientadora diretora regional do Sistema FIEMG.

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