Empreendedorismo se aprende cedo

Evandro Conti
Presidente da EU/S.A.

Desde pequenos, quando pensamos no que vamos ser “quando crescer” escutamos frases do tipo: “Isso não dá dinheiro”; “Você não nasceu para isso”; “Você não tem o dom”; “Quero que você seja engenheiro, igual a mim”; “Isso não é profissão”. Quem nunca escutou pelo menos uma dessas frases? Quantas pessoas trabalham fazendo o que não gostam? São frustradas porque seguiram os sonhos de terceiros.

A psicologia explica que a formação mais intensa da personalidade se dá até os 7 anos, e, a partir daí, carregamos para toda a vida a experiência enraizada nessa fase. Por isso é possível trabalhar nas crianças as soft skills empreendedoras por meio de atividades apropriadas a cada idade, como se fosse uma brincadeira. Felizes são aquelas crianças que já sabem o que querem e os pais dão o incentivo necessário para essa “loucura”.

Vale aqui um adendo para melhor entendimento desse raciocínio. Atualmente, as habilidades e comportamentos são denominados soft skills. Eles dizem respeito à personalidade e ao comportamento. Ou seja, capacidades mentais, emocionais e sociais que as pessoas adquirem ao longo da vida. Já as hard skills são os conhecimentos técnicos aprendidos com os estudos. Uma frase muito comum no meio empresarial que exemplifica a importância dessas habilidades é a que diz que as empresas contratam pelo currículo (hard skills) e demitem pelo comportamento (soft skills).

De acordo com a cultura do Vale do Silício – centro mundial de inovação e tecnologia, as pessoas é que fazem a diferença, por ser a base e o centro de toda mudança. A tecnologia apenas torna exponencial toda inovação que elas criam, mas a evolução acontece devido ao protagonismo dos indivíduos. Nesse cenário, é primordial preparar nossos filhos para o futuro, estimulando-os desde cedo com uma boa dose de competência e habilidades socioemocionais para empreender.

O Fórum Econômico Mundial de 2018 prevê no documento The Future of Jobs que 65% das crianças que estão hoje no ensino primário terão empregos completamente diferentes dos que existem hoje quando começarem a trabalhar.

Estamos vivendo a quarta revolução industrial, que, como se não bastasse mudar tudo em alta velocidade, ainda pode atropelar nossos sonhos se não estivermos devidamente atentos. Não é fácil buscar o nosso sonho. Mas se assim fosse, que graça teria?

Por que trabalhamos com o sonho? Porque os desafios se tornam mais leves e os obstáculos podem ser mais combustível do que água fria. Com eles, temos oportunidade de adquirir novos conhecimentos, inovar, descobrir caminhos alternativos, conhecer pessoas e, por fim, nos tornar mais fortes para solucionar problemas. Como nos diz a cantora Lady Gaga, vencedora de nove Grammy Awards e 13 MTV Music Awards: “Não é sobre ganhar, é sobre não desistir. É sobre quantas vezes você se levanta, com coragem, e segue em frente”.

E o que o empreendedorismo tem a ver com os sonhos? Primeiro, por definição, um empreendedor é um indivíduo que não pensa somente em si, mas busca resolver um problema da sociedade e, para isso, utiliza um conjunto de habilidades, comportamentos, atitudes e competências que o definem como tal. Engana-se quem pensa que ser empreendedor está relacionado em ter um CNPJ. É mais do que isso. Um empregado pode ser um empreendedor em sua área. Um funcionário público também. Um artista, atleta ou cientista, idem. São pessoas que fazem de um objetivo um sonho, que então se torna um propósito, uma paixão, um caso de amor. Quando trabalhamos a favor dos nossos sonhos, não é trabalho, é prazer.

Quando decidi ser empreendedor para ensinar aos outros como serem empreendedores desde criança, pensei nos valores que me movem. Além disso, em aprendizado contínuo, resiliência, propósito. Afinal, nas palavras de Jorge Paulo Lemann, um dos homens mais ricos do país, dá o mesmo trabalho sonhar pequeno ou grande.

Fonte: Jornal Estado de Minas03/03/2020